terça-feira, 16 de março de 2010

O novo e o velho.

De repente me deu uma louca vontade de ter algum lugar para escrever...

Já não tenho o mesmo pique de antes de escrever cinco páginas consecutivas explicando um dia sem grandes emoções, ou o dobro disto quando meu dia dava um "ar de graça".
Agora não. Agora não tenho mais essa vontade de escrever - mais do que já escrevo na faculdade - e, como passo grande parte do meu dia "hibernando" na internet, acho que essa ferramenta vai ser mais útil pra mim.

Há um bom tempo atrás eu criei um blog - no qual dei o endereço a todos os meus colegas - e, depois um segundo para que nenhum conhecido lesse o que eu sentia e escrevia e, eu curtia horas afins ecrevendo sobre famosos, testes de horóscopo, amizades, amores ... ah! como eu escrevia sobre amores. Era um novo a cada semana...
Talvez aí esteja a chave de tudo, "um novo a cada semana", mas isso só acontecia no plano dos sonhos, da ilusão, porque quando eu chegava para encarar a realidade eu apenas me retraia e intimidava.
"Menina sonhadora", foi uma das coisas que eu sempre ouvi. Minha mãe mesmo me chamava de "Alice", por idealizar tanto as cenas, idealizar as pessoas, as ações, os futuros amores - sendo que eu nem sabia o que era amar, não daquele jeito -, sempre uma menina além do seu tempo; uma menina querendo ser adulta rápido demais!
Eu adorava elogios ( e quem não gosta?), uma atitude prudente e lá vinha meu reforço positivo, um "parabéns", "que menina educada!", "nossa, como ela está mocinha e linda!", era um deleite tremendo receber estas palavras e arquiva-las, era muito reforçador pra mim.
Mas com o tempo vamos percebendo que os reforços positivos se extinguem. Hoje em dia, no meu terceiro semestre da faculdade já não recebo uma estrelinha dourada ou prata (sendo que eu não gostava da prata, ela simbolozava ser o "segundo melhor" e, não o "primeiro", que eu fazia de tudo para ser.), as pessoas não chegam em você para fazer elogios, se chegam só são para fazer críticas - que são punições positivas que geram sentimento de culpa - ou para cobrar algo ainda não feito.
Hoje em dia são raras as ocasiões em que alguém dá "bom dia" no elevador, ou um "boa tarde! " na rua sem um motivo libidionoso por trás - bem evidente, por sinal - ou um pai chega na criança e a elogia quando acerta "2+2", ou sorri e brinca com ela quando ela aprende as capitais de cada estado brasileiro.

Eu sinto falta dessa velha Bruna, àquela que não se preocupava com grandes (sendo esse ponto de vista um tanto relativo, nas condições de hoje) coisa, além das suas Barbies, sua irmã mais nova ou em fazer novas amizades e dançar... Àquela criança apegada a família, a palhacinha da família, a queridinha dos pais e tios, a menina dos cabelos cacheadinhos, a menina que tirava boas notas e corria para a porta para dar um abraço e um beijo nos pais que estavam chegando... essa Bruna era linda! Ela não tinha tantas preocupações ou responsabilidades, ela era apenas ela, doce, amiga e brincalhona! ah, e apaioxonda - mesmo sem ela saber o que significava essa palavra.
A nova Bruna, ela é sensata, prudente, cheia de responsabilidades, e cometeu a maior loucura da sua vida, a de tentar explorar além do que se sabe sobre o ser humano: resolveu fazer Psicologia. Um curso ousado, parecendo dócil, à priori, mas bastante pertubador e competente.
Eu ouvi em algum lugar assim: "a maior loucura do ser humano é tentar querer saber mais que Deus..." , e acho muito prudente a fala deste autor já que:

... SE eu fosse uma ribeirinha e vivesse alí, minha vidinha simples, com pouca instrução e na companhia de irmãos e amigos, eu seria mais feliz, por não questionar tanto o mundo, por me contentar com a vida que tenho.

... JÁ QUE não sou esta menina de vida simples e de pouca instrução teórica - não excluindo, sobre hipótese alguma, a experiência de vida - vou vivendo na procura , cada vez mais incessante de descobrir o ser humano, de descobri-lo através do istrumento que tenho disponível a mim - na minha futura profissão - que sou Eu, na condição de ser humano, um turbilhão de emoções e sentimentos, de extenso campo perceptual e analisando cada possível contingência, o Self do indivíduo, a capacidade de auto-gestão e auto-regulação, o inconsciente... em cada parte de mim e do outro,pois o ser humano é isso: "o eu não vive sem o tu"!

- E assim encerro esse texto que eu poderia passar horas escrendo, já que um tema desencadeia outro, mas a nova Bruna tem uma responsabilidade daqui a alguns minutos e ainda precisa viver e sentir muita coisa nesses próximos minutos!

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